Esta é uma história de ficção, qualquer semelhança com a
realidade é mera coincidência. Ainda assim, por garantia, o nome dos
protagonistas será omitido e a história só será contada em primeira pessoa
porque qualquer história fica melhor em primeira pessoa.
Sempre
achei Djavan chato. Pseudo-poesia do caralho. Solteiro há pouco, caí no velho
golpe do “vou sair com uma gata e ela vai levar uma amiga...”
– Ok
e pra onde vamos?
– É
um barzinho bacana, bom pra pegar mulher, meia-luz, e um violeiro muito bom.
Bar,
violeiro?! Estremeci. Bom, não queria ficar em casa de maneira nenhuma, talvez
fosse bom conhecer gente nova, mudar de ares. Topei.
– Olá,
prazer.
Bom,
a moça não era exatamente bonita. Também não era feita. Ornamentada demais pro
meu gosto. Muito dourado. Enfim, lá estávamos.
Para
meu desgosto, a conversa na mesa logo descambou para axé e micaretas. Que
diabos eu estava fazendo ali?! Aumentei o ritmo do álcool. A moça ficou mais
bonita. Tentei entrar no clima.
No
violão, o “artista” tocava aquela MPB moderna, insossa até o osso, soltando
alguns “clássicos” que interpretava como qualquer cantor de bar, atrasando os
versos e depois dando uma corridinha. Resolvi relevar.
Logo, meu amigo se engalfinhou com sua, digamos, “gata” e
tratei de matar o assunto baiano com respostas monossilábicas. Que tal falar de
algo menos chato, talvez política, religião ou futebol?!
O safado tocou Djavan. A moça, de olhos fechados, soltou:
- A-DO-RO essa música!
Virei meu copo de uma vez. Tentei continuar com a conversa.
Meu amigo já começou a me olhar com aquela cara de “vai pegar ou não?!”
Estranhamente, a moça parecia interessada. A essa altura, já
era uma baita gostosa. Qualquer assunto mala a entretinha. Empolgou-se horrores
ao falar sobre concursos. Resolvi brincar, tentando parecer mais (pseudo) intelectual
do que realmente sou.
Mais Djavan. Olhos fechados, um suspiro e mais uma vez:
- A-DO-RO Djavan!
Ó, meu Deus! Devo ter sido um ditador sanguinário em vidas
passadas.
Decidi tentar minha sorte com a moça para ver se amenizava
este sofrimento. Agora ela resolveu jogar duro. Puta que o pariu!
As moças foram ao banheiro, meu amigo soltou:
– Velho, se você não pegar a mulher, vai atrapalhar meu
esquema. Elas vieram juntas, pô.
– Tô ligado, caralho, mas a moça resolveu jogar duro.
– Velho, se esforça aí, vai.
Vai tomar no cu, porra. O cara me bota numa furada da porra e
ainda vai me pressionar?!
Voltaram do banheiro. A moça veio mais atirada. Deve ter
levado uma prensa da amiga também. Peguei.
O violeiro tocou a saideira. Adivinhem?! Djavan.
– Bem que ele podia tocar mais uma do Djavan, né?
Cala a boca, idiota! Quase falei. Saímos.
– E aí, pra onde vamos?
– Eu pra minha casa e você pra sua.
Só podia ser brincadeira de mau gosto. Depois de agüentar
tudo isso eu merecia, no mínimo, um sexozinho. Parti para a dissuasão, tentando
convencer a moça de todas as formas possíveis e imagináveis, nem que fosse para
vencer pelo cansaço.
A contra gosto, comecei a seguir para deixá-la em casa. Ainda não havia
desistido, lá chegando, parti para o ataque novamente. E a guarda não baixava
de jeito nenhum. Não tinha jeito, eu ia voltar pra casa sozinho mesmo. Desesperado,
soltei:
– Pô, mais fácil aprender japonês em braile...
Trepei.
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