As mulheres queimaram seus
sutiãs, contribuindo para o aquecimento global, e conquistaram várias coisas,
incluindo o direito de serem putas. Não profissionais, dessas que a sociedade
finge recriminar há milênios, mas igualmente pagas. Na verdade, elas até contam
com o aval da sociedade.
Explico, antes que as feministas
me queimem no fogo da inquisição. Adoro a independência feminina. Quero mais é
que elas ganhem bem, tenham muito poder e me sustentem, que escrever texto para
distribuir para os amigos não dá dinheiro nenhum. É sensacional sair com uma
mulher e entrar numa parceria, do tipo:
- Hoje eu pago.
- Ok, mas a próxima é minha.
É ótimo até porque subentende o
próximo encontro. Desde que se queira o próximo encontro, claro, senão basta
topar a divisão da conta mesmo.
Felizmente, isso tem se tornado
cada vez mais comum (ou será que sou eu que acerto na escolha?), o problema
começa depois do jantar, quando se procura um canto mais reservado. Aliás,
desculpe, o problema começa bem depois disso, quando se diz a famosa frase ao
telefone:
- Boa noite, eu gostaria de
encerrar a suíte 69.
(to be continued...)
A partir de então, temos uma cena
digna de manicômio, quando a mulher – inteligente, bem-resolvida e independente
– simplesmente finge ignorar o fato de que há uma conta a pagar, fica a se
arrumar, ler o cardápio ou assistir o Futura na TV do quarto, esperando o seu
comando para saírem.
A atitude é do tipo “eu já fiz a
minha parte, agora faça a sua” ou, na versão mais agressiva, “você não espera
que eu pague para te dar?!”. Ok, pagamos nós para comer vocês, assim como se
faz com qualquer profissional.
O engraçado é que o dinheiro fica
todo com o dono do estabelecimento, afinal a mulher moderna, independente, não
necessita dele e deve aliviar sua consciência doando seu soldo, fruto de seu
trabalho duro (literalmente), ao necessitado dono do estabelecimento, que já
podemos chamar de cafetão.
- Boa noite, eu gostaria de
encerrar a suíte 69.
- Houve consumo, senhor?
- Claro, o que você acha que eu
vim fazer aqui?!
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